OUTUBRO/NOVEMBRO 2026 | nº 9 | Nova edição reforça que podemos e devemos discutir e contestar, com base na ciência, estruturas educacionais tomadas como dadas
Cara comunidade leitora,
Com o nono número da Yvirá, temos algumas razões para comemorar. Primeiro porque a continuidade da Cátedra Unesco de Ciência para Educação, responsável pela revista, acaba de ser aprovada pela Unesco por mais quatro anos. Então ainda vem muita Yvirá por aí! Segundo porque esse número está sendo lançado no Mês do Professor (outubro), por ocasião do IX Encontro da Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE), celebrando, inclusive, três educadores vencedores do III Prêmio Rede CpE na Sala de Aula. Mas um fio condutor perpassa todos os artigos deste número: podemos e devemos discutir e contestar, com base na ciência, estruturas educacionais tomadas como dadas. Isso inclui horários escolares, relação escola-comunidade, formas de aprender, uso da tecnologia, dependência das telas, medicalização das dificuldades e currículos tradicionais.
Todos conhecem o ditado “Quem canta seus males espanta”, certo? Mas talvez muitos não tenham consciência de que o aprendizado da música também impacta o aprendizado de outras disciplinas e o desenvolvimento de um modo geral. É o que está muito claro na seção Vale Nota, escrita pela professora Eloisa Paiva, no qual ela comenta sobre a importância da música no desenvolvimento das crianças. Há inúmeras evidências de que o aprendizado da música pode influenciar no da matemática, por exemplo.
E daí podemos puxar o excelente artigo de Raimundo da Silva Soares Junior e João Ricardo Sato, que relata como a manipulação de blocos pode auxiliar o aprendizado do pensamento computacional. Num mundo de telas por toda parte, mexer em algo concreto longe delas pode ajudar ao aluno transitar “da manipulação física para o raciocínio lógico-abstrato, consolidando as bases da criatividade e da resolução de problemas”.
Falando em telas, e a IA? A pesquisadora da Rede CpE Rosa Vicari responde a uma pergunta sobre esse tema, enviada à YVIRÁ na seção “Como Assim?” deste número. Segundo a professora, é importante que os alunos entendam como a IA funciona para que possam utilizá-la com responsabilidade.
Ainda na linha de propostas de mudanças na escola, fazemos um resgate sobre o que aprendemos na pandemia sobre o sono e a rigidez dos horários escolares. Fernando Louzada, editor de YVIRÁ e pesquisador da Rede CpE, nos traz a importância da flexibilização dos horários escolares para maximizar o aprendizado.
A pesquisadora Lavinia Teixeira-Machado também defende outra mudança importante na escola: que o foco deixe de ser sobre o indivíduo com deficiência, mas sobre as barreiras impostas a ele pelo próprio ambiente escolar.
Ainda, na seção “Cadê a prova?”, um artigo do pesquisador Luiz Curi versa sobre o futuro da escola e como lidar com a crise da evasão e do mau desempenho em avaliações de larga escala – como o do PISA 2025 (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) recentemente divulgado, em que tivemos resultado abismal novamente.
Por fim, mas não menos importante: a entrevista com os vencedores do III Prêmio Rede CpE na Sala de Aula. Veja como esses três professores enfrentaram com criatividade e ciência os desafios das suas escolas e regiões. Ler esses relatos (e assistir os vídeos) certamente trará a você que nos lê muita esperança para o futuro da nossa educação, independentemente dos desafios que virão por aí.
Boa leitura!
Comissão Editorial


