Yvirá Cátedra UNESCO de Educação e Diversidade Cultural UNESCO
NOVEMBRO/ DEZEMBRO 2025 | nº4
Intervalo RESENHAS DE LIVROS, SÉRIES, FILMES

Educação e reflexão no streaming

Priscilla Oliveira Silva Bomfim
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação e Extensão em Neurociências (NuPEDEN)
Universidade Federal Fluminense
Rede CpE

Com o avanço tecnológico, o entretenimento infantil evoluiu a ponto de oferecer um leque de possibilidades muito diferente da realidade vivida por quem hoje é pai ou mãe.

As plataformas de streaming podem ser grandes aliadas, especialmente para famílias que nem sempre conseguem aproveitar parques ou praças todos os dias.

E nada impede que tudo isso aconteça em família, com um balde de pipoca e boas risadas.

Priscilla Oliveira Silva Bomfim
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação e Extensão em Neurociências (NuPEDEN)
Universidade Federal Fluminense
Rede CpE

NOVEMBRO/DEZEMBRO 2025 | n°.4 | Yvirá destaca opções que podem entreter, educar e despertar pensamento crítico e interesse pela ciência

IMAGEM: MONTAGEM A PARTIR DE FOTO ADOBESTOCK E DIVULGAÇÃO/ADA BATISTA-NETFLIX

Num mundo onde tudo acontece de maneira acelerada, muitas vezes é difícil encontrar tempo para pensar, com calma, sobre o que nossas crianças consomem como forma de entretenimento quando estão diante das telas — inclusive da velha companheira, embora modernizada, a TV. No século passado, essa preocupação quase não existia, embora personagens famosos da época como Pica-Pau ou Frajola aparecessem dando uma martelada em alguém, provocando risadas e dó no espectador.

Com o avanço tecnológico, o entretenimento infantil evoluiu a ponto de oferecer um leque de possibilidades muito diferente da realidade vivida por quem hoje é pai ou mãe. É natural que os adultos, atentos e responsáveis, se preocupem com o impacto do conteúdo a que os filhos estão expostos. Afinal, o “Pica-Pau” dos novos tempos pode vir disfarçado de cordeiro, influenciando negativamente o comportamento das crianças, que ainda não têm maturidade para distinguir o certo do errado nem, para entender até onde se pode ir sem ferir alguém, física ou emocionalmente.

Com o avanço tecnológico, o entretenimento infantil evoluiu a ponto de oferecer um leque de possibilidades muito diferente da realidade vivida por quem hoje é pai ou mãe.

Hoje, mais do que em qualquer geração anterior, há uma preocupação legítima em estimular a empatia, a inclusão, a criatividade e a curiosidade. Por isso, o que nossas crianças assistem importa — e muito! — para que desenvolvam pensamento crítico em um mundo que parece correr mais rápido do que o relógio.

Aprendizados e empatia

As plataformas de streaming podem ser grandes aliadas, especialmente para famílias que nem sempre conseguem aproveitar parques ou praças todos os dias. São opções que, além de entreter, podem educar e despertar reflexão crítica, inclusive científica! Claro, é preciso tempo para avaliar o que vale a pena assistir.

Uma boa opção é “Pergunte aos StoryBots”, série disponível na Netflix para crianças entre 3 e 8 anos. Nela, robôs respondem a perguntas como “De onde vem a chuva?”, “Como os ouvidos escutam?” e “Por que as pessoas são diferentes?”, sempre de maneira leve e divertida. O sucesso foi tão grande que, em 2023, surgiu o spin-off “StoryBots – Hora da Resposta”, para os pequenos de  4 a 9 anos, com episódios mais curtos e dinâmicos.

As plataformas de streaming podem ser grandes aliadas, especialmente para famílias que nem sempre conseguem aproveitar parques ou praças todos os dias.

Na mesma linha, “Ada Batista, a cientista” (em homenagem à britânica pioneira da programação Ada Lovelace), para os de 4-8 anos, traz Ada e seus amigos Rosie e Iggy, que unem talentos para resolver problemas no universo STEAM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

Na produção nacional, temos “O Show da Luna!”, para crianças de 2-6 anos, disponível tanto no canal oficial no YouTube quanto na TV Cultura. A série mostra Luna, uma menina de seis anos super curiosa, acompanhada do irmão Júpiter e do furão de estimação Cláudio, em aventuras para descobrir mistérios intrigantes, de como as formigas conseguem carregar alimentos tão pesados a como o eco acontece — e por que só em alguns lugares.

Já em “Oi Ninja”, a imaginação corre solta. Os personagens Wesley, Georgie e o gato Pretzel se transformam em ninjas para solucionar todo tipo de desafio. A série aborda amizade, companheirismo e cuidado com o outro de forma criativa, como quando os amigos precisam provar que Pretzel não foi o responsável por uma bagunça, ou quando têm de resgatá-lo de uma árvore.

E para a garotada do final do fundamental I em diante (até os adolescentes!), uma excelente opção é o canal “Manual do Mundo”, no YouTube. O conteúdo também navega pelo universo STEAM, com uma pegada curiosa e envolvente, mas nada infantilizada. Ele prende a atenção ao transformar a ciência em descoberta, experimentação e diversão a partir da observação de fenômenos e a reflexão de como acontecem, estimulando a compreensão entre causa e efeito.

E nada impede que tudo isso aconteça em família, com um balde de pipoca e boas risadas.

Criatividade, imaginação e habilidades sociais

No YouTube e também na TV aberta, especialmente na TV Cultura, há uma grade semanal riquíssima com desenhos como “Bluey”, “Simon”, “Milo” e outros. Em Bluey, para crianças de 2-7 anos, uma família de cachorros vive situações do cotidiano que estimulam a empatia, o convívio saudável e o aprendizado em família. Já em “Simon”, um coelhinho curioso ajuda as crianças de 3-6 anos a lidarem com sentimentos, frustrações e descobertas típicas da infância, com mensagens simples e afetivas.

E em “Milo” um gatinho que vive com os pais numa lavanderia usa a imaginação, junto dos amigos Lofty, Lark e do robô Suds, para explorar diferentes profissões. Assim, descobre o que faz um bombeiro, um médico ou um dançarino, e o que é preciso para seguir cada vocação, estimulando a percepção de crianças de 4-8 anos.

No geral, bons programas, seja no streaming ou na TV, são poderosas ferramentas para estimular o desenvolvimento de criatividade, imaginação e habilidades sociais. Eles ajudam as crianças a construir repertório cultural, desenvolver valores e, quem sabe, descobrir vocações. E nada impede que tudo isso aconteça em família, com um balde de pipoca e boas risadas.

A tecnologia não é inimiga da educação — muito pelo contrário. A palavra-chave é equilíbrio: aprender pode (e deve!) ser uma aventura prazerosa.

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