Como assim?
Perguntas que inquietam os docentes
ABRIL/MAIO 2026 | nº6 |
Nesta seção, especialistas convidados por YVIRÁ respondem a perguntas enviadas por professores que integram a Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE) como “Amigos da Rede”.
Para esta edição, o professor Ronaldo Mota, titular da Cátedra em Inteligência Artificial e pesquisador visitante emérito/ FAPERJ no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica como equilibrar a apresentação de tecnologias digitais no ambiente escolar. Ele debate estratégias e recomendações de como atender às demandas do mercado de trabalho sem que o uso de telas e redes sociais afete negativamente os alunos, e sem descumprir a lei que restringe o uso de celulares nas escolas. Confira a seguir.
Equilíbrio digital
“Como apresentar as tecnologias digitais aos estudantes? Por um lado, o mercado de trabalho se queixa da falta de preparo dos jovens em relação ao tema. Por outro, vemos notícias sobre os efeitos do uso das redes sociais na memória e na atenção. Ao mesmo tempo, vivemos a restrição ao uso de celulares nas escolas, enquanto sabemos que o investimento em computadores e afins, principalmente na rede pública, é um grande desafio. Como seria possível alinhar as diferentes necessidades na prática?”
(Enviada por Aretusa Brandão Brito, diretora de escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, mestranda em Estudos Culturais, cidade Mogi das Cruzes, SP.)
Ronaldo Mota
Titular da Cátedra em Inteligência Artificial
Pesquisador visitante emérito/ FAPERJ no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Essa abordagem formativa torna-se ainda mais crucial num cenário onde o mercado de trabalho demanda cada vez mais candidatos com habilidades digitais, tornando inexorável a presença das tecnologias digitais em seus cotidianos.
A formação dos educadores é crucial nesse cenário, pois professores bem-preparados podem orientar os alunos no uso adequado e criativo da tecnologia, transformando ferramentas digitais em aliadas do aprendizado.
Para isso, a criação de laboratórios de informática, a promoção de atividades que integrem a tecnologia de forma criativa e a implementação de projetos interdisciplinares que utilizem novas ferramentas digitais são iniciativas valiosas.
As escolas devem não apenas adotar ferramentas digitais, mas também promover a consciência crítica nos alunos sobre o contexto em que vivem, promover a capacidade de refletir sobre a própria reflexão e ensinar-lhes a usar a tecnologia de forma responsável.
Ronaldo Mota
Titular da Cátedra em Inteligência Artificial
Pesquisador visitante emérito/ FAPERJ no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
ABRIL/MAIO | Edição nº6 | Apresentar tecnologia digital no dia a dia escolar é passo importante e necessário para formar geração preparada para o futuro, mas abordagem deve ser equilibrada
Ao mesmo tempo que a escola promove o uso da tecnologia, é importante que os alunos tenham uma visão razoável acerca do mundo em que estão inseridos, tanto em relação ao momento histórico que vivem quanto ao espaço geopolítico que habitam. Com essas raízes estabelecidas, é possível estimulá-los a refletir sobre seus próprios pensamentos e amplificar suas capacidades metacognitivas, habilidades que vão além da mera cognição, capacitando-os a aprender continuamente ao longo de suas vidas. Essa abordagem formativa torna-se ainda mais crucial num cenário onde o mercado de trabalho demanda cada vez mais candidatos com habilidades digitais, tornando inexorável a presença das tecnologias digitais em seus cotidianos.
Se a escola, especialmente a pública, não cumprir essa missão, corremos o risco de ver muitos alunos se sentindo analfabetos digitais e cidadãos irrelevantes em um futuro próximo. É importante lembrar que muitos deles não têm acesso a pais escolarizados, computadores adequados ou infraestrutura de internet de qualidade em casa. Essa realidade ressalta a responsabilidade das escolas em integrar a educação digital em suas práticas pedagógicas, não apenas ensinando o uso de programas de software, mas também promovendo a compreensão de como a tecnologia deve ser utilizada de forma ética e responsável.
Essa abordagem formativa torna-se ainda mais crucial num cenário onde o mercado de trabalho demanda cada vez mais candidatos com habilidades digitais, tornando inexorável a presença das tecnologias digitais em seus cotidianos.
A formação dos educadores é crucial nesse cenário, pois professores bem-preparados podem orientar os alunos no uso adequado e criativo da tecnologia, transformando ferramentas digitais em aliadas do aprendizado. Da mesma forma, a implementação de currículos que incluam a capacidade de ler e produzir textos minimamente complexos, com introdução à ciência da computação e desenvolvimento de habilidades digitais e metacognitivas desde a educação infantil até o ensino médio é essencial para moldar uma geração de estudantes aptos a enfrentar desafios tecnológicos.
Por outro lado, o uso excessivo de redes sociais e outras plataformas pode ter um impacto negativo no aprendizado e na saúde mental dos jovens. Estudos indicam que o uso exagerado dessas plataformas, o que tem sido bastante comum, pode prejudicar a memória e a atenção dos alunos, criando uma distração que se torna uma barreira ao aprendizado. Portanto, é fundamental que as escolas promovam um entendimento crítico sobre o uso das redes sociais, ensinando os alunos a discernir informações, compreender as consequências de sua presença online e estabelecer limites saudáveis para sua utilização.
A formação dos educadores é crucial nesse cenário, pois professores bem-preparados podem orientar os alunos no uso adequado e criativo da tecnologia, transformando ferramentas digitais em aliadas do aprendizado.
Para isso, a criação de laboratórios de informática, a promoção de atividades que integrem a tecnologia de forma criativa e a implementação de projetos interdisciplinares que utilizem novas ferramentas digitais são iniciativas valiosas. Além disso, incentivar o uso de dispositivos que os alunos já possuem, como smartphones, através da implementação de aplicativos educativos, pode estimular o aprendizado em diversas áreas.
Em suma, apresentar aos estudantes a tecnologia digital no dia a dia escolar é um passo importante e necessário para formar uma geração preparada para o futuro. Contudo, essa abordagem deve ser equilibrada e considerar os riscos associados ao uso irresponsável da tecnologia. As escolas devem não apenas adotar ferramentas digitais, mas também promover a consciência crítica nos alunos sobre o contexto em que vivem, promover a capacidade de refletir sobre a própria reflexão e ensinar-lhes a usar a tecnologia de forma responsável.
Com o apoio de educadores bem-preparados, investimento adequado em infraestrutura e uma abordagem pedagógica consciente, é possível criar um ambiente de aprendizado onde a tecnologia atua como uma aliada, e não como um adversário, contribuindo para a formação de cidadãos mais capacitados, conscientes e, principalmente, felizes.
As escolas devem não apenas adotar ferramentas digitais, mas também promover a consciência crítica nos alunos sobre o contexto em que vivem, promover a capacidade de refletir sobre a própria reflexão e ensinar-lhes a usar a tecnologia de forma responsável.


